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outubro 21, 2026Terapia de família e de casal: como funciona o atendimento
Terapia de família e de casal
A terapia de família olha as relações, e a sessão pode reunir a família inteira, o casal ou uma pessoa.
Quando um problema parece pertencer a todos da casa, não faz sentido tratá-lo como se morasse só em uma pessoa. É essa a lógica da terapia sistêmica e familiar, que olha para a pessoa dentro das relações de que faz parte, em especial a família. A terapia de família pode reunir os parentes, o casal ou apenas um membro.
O texto descreve a origem, os princípios, as sessões e a formação, e esclarece uma confusão comum: a diferença entre a terapia sistêmica e a chamada constelação familiar. Não compara linhas de trabalho nem indica uma para casos individuais.
O conteúdo é informativo e não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.
De onde vem
Segundo artigo da revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, a terapia familiar surgiu nos Estados Unidos com o trabalho de um grupo de pensadores e terapeutas, e Gregory Bateson e Nathan Ackerman estão entre os pioneiros. O chamado Grupo de Palo Alto, do qual Bateson fez parte, estudou a comunicação e levou essas observações para a análise das relações humanas no cotidiano.
Entre 1960 e 1970, surgiram diferentes escolas. Murray Bowen e Ivan Boszormenyi-Nagy estudaram heranças, mitos e lealdades familiares que atravessam gerações. Na década de 1970, ganhou destaque Salvador Minuchin, com o enfoque estrutural, atento aos subsistemas da família, como o casal, os pais e os irmãos.
Depois vieram outras escolas e, mais tarde, enfoques centrados nas narrativas e nas conversas. No Brasil, a terapia de família fez as primeiras incursões nos anos 1970.
Os princípios, nos termos da própria linha
Para a terapia sistêmica, a família funciona como um sistema: o que acontece com um membro afeta os outros, e o contrário também. Alguns conceitos ajudam a entender essa visão.
A circularidade propõe, em vez de buscar um culpado ou uma causa única, observar os circuitos de influência mútua. Já a cibernética e a teoria geral dos sistemas, de Ludwig von Bertalanffy, deram as bases conceituais. Quanto à função do sintoma, a formulação clássica dizia que um membro tem um sintoma e é um sintoma da família, ideia vista hoje com mais cautela, mas que ajudou a olhar a queixa além do indivíduo.
E a colaboração lembra que o terapeuta de hoje busca uma relação colaborativa com a família, e não uma posição de quem dá ordens de fora.
Como funciona a terapia de família na prática
As primeiras sessões costumam servir para entender quem compõe a família, como as pessoas se relacionam e o que levou o grupo a buscar atendimento. Um recurso comum é o genograma, um desenho da família ao longo de gerações, que ajuda a visualizar vínculos, repetições e acontecimentos marcantes.
Nas sessões, o terapeuta costuma fazer perguntas que convidam cada pessoa a olhar a situação pelo lado das outras, observa como se comunicam ali mesmo e propõe novas formas de conversar.
Em resumo, a sessão é um espaço em que o grupo experimenta, com ajuda de um profissional, jeitos diferentes de se relacionar.
Quem participa da sessão
A sessão pode reunir a família inteira, parte dela, o casal ou uma única pessoa. A composição de cada encontro é combinada com o terapeuta e pode mudar ao longo do processo. É possível, por exemplo, começar com todos e seguir só com o casal, ou o contrário.
A frequência e a duração também variam conforme o caso e o profissional, e a duração total não costuma ser fixada de antemão.
No atendimento de crianças, a participação dos responsáveis é parte do trabalho, e cada profissional explica como isso funciona.
Casal: um formato dentro da terapia sistêmica
A terapia de casal olha para a relação como o foco do atendimento. Em vez de decidir quem está certo, o profissional ajuda os dois a perceberem os padrões de comunicação e as expectativas de cada um. As sessões podem ser conjuntas ou, em alguns momentos, individuais, conforme o combinado.
Antes de começar, vale combinar como serão tratadas informações trazidas separadamente, para que haja clareza sobre sigilo e confiança.
Para que tipo de demanda é usada
Na literatura da área, a terapia sistêmica é descrita como uma forma de trabalhar conflitos familiares e conjugais, dificuldades de comunicação, mudanças no ciclo de vida da família, como nascimentos, separações e perdas, e o sofrimento de uma pessoa quando ele está ligado às relações. Também é usada em serviços de saúde, de assistência social e de justiça.
O que acontece em cada terapia depende das pessoas envolvidas e do processo. Nenhuma linha promete resultado.
Constelação familiar não é terapia sistêmica
Apesar do nome, que às vezes vem acompanhado da palavra sistêmica, a constelação familiar não pertence à tradição da terapia familiar descrita aqui e não é reconhecida pela psicologia. O Conselho Federal de Psicologia publicou a Nota Técnica nº 1/2023 sobre o tema.
Segundo o conselho, o documento aponta incongruências éticas e de conduta profissional, e afirma que a transmissão aberta de sessões é conduta incompatível com o sigilo profissional. Quem procura terapia de família deve, portanto, conferir se o profissional é psicólogo com registro e perguntar como o trabalho é conduzido.
Onde o psicólogo se forma
O aprofundamento em terapia sistêmica costuma vir depois da graduação, em institutos e núcleos formadores, especialização e programas de pós-graduação de universidades públicas. A Associação Brasileira de Terapia Familiar aprovou, em 2021, um programa de formação de 360 horas para institutos e núcleos formadores, que combina teoria, atendimento supervisionado e trabalho com a própria história familiar do terapeuta.
A associação reúne profissionais de terapia familiar e de outras áreas biopsicossociais. Por isso, nem todo terapeuta de família é psicólogo.
Como conferir o CRP
Todo psicólogo precisa estar inscrito no Conselho Regional de Psicologia, como determina a Lei nº 5.766/1971. O nome e o número do registro podem ser conferidos no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, do CFP, em consulta pública e gratuita.
Sigilo quando há várias pessoas na sala
O sigilo profissional vale também nas sessões com mais de uma pessoa, mas o formato exige combinados. Em atendimentos de casal ou de família, o terapeuta costuma explicar como tratará informações que um membro conte separadamente, e se elas ficam entre os dois ou podem ser levadas à sessão conjunta.
Perguntar isso no começo evita surpresas. A ideia é que todos saibam as regras e se sintam seguros para falar.
Com crianças e adolescentes, valem as regras específicas do Código de Ética, que prevê a comunicação aos responsáveis do estritamente essencial.
O que perguntar ao terapeuta antes de começar
Antes de marcar, vale perguntar quem deve comparecer, quanto dura cada sessão, qual a frequência sugerida e como é tratado o caso de alguém da família que não quer participar. Perguntar sobre a formação e conferir o registro no conselho também ajuda.
Se o assunto é um conflito, vale esclarecer que o objetivo não é descobrir culpados, e sim entender os padrões de relação.
Um resumo para guardar
A terapia de família olha a pessoa dentro das relações. As sessões podem reunir a família, o casal ou um só membro, com recursos como o genograma e perguntas que ampliam o olhar. Não promete resultado e não se confunde com a constelação familiar.
Confira o registro do profissional e converse sobre como ele trabalha. Quem não pode pagar encontra opções gratuitas na rede pública e nas clínicas-escola.






